quinta-feira, 29 de julho de 2010

PERDA

Para Ferreira, com toda a saudade que se suporta na dor inelutável.


Todo espaço
é o produto da relação
tempo, natureza e busca.
Toda busca
enquanto possibilidade matemática
é o substrato mesmo da vida.
Viver é o resultado equacionado
somado e dividido
de inúmeros caminhos e escolhas.
Ao final,
a subtração inelutável empresta ao mundo
não ao cósmico mas ao particular e micro
toda a estupefação
da perda...
Teu espaço, teu mundo, meu irmão
exala-se como ao teu gigantesco sonho de voar.
E hoje, mudo, inerte e disforme,
tu és o nada tão injusto
para quem foi tanto!
O nada físico, todavia, não se compara
com a imensidão da tua saudade
agigantada ante as lembranças
que fazem de ti, eternamente,
legado nosso e do mundo,
imorredouro e rico.

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