O sentimento do mundo
é a emoção vegetal
no entrechoque da pétala.
Ao abrir-se para a vida
cada flor é o suspiro nosso
retido ante a magia
do instante, no olhar.
Primavera: todo o véu negro do espaço
tem em ti
o contrapeso do sonho.
E és como a criança
inocente, pura e bela
pois que petalas o sorriso
e amenizas na dor
ao transmutar a face da cor
e o formato singelo
e essencial do beijo.
Primavera:
no amor tu te agigantas
e ofertas flores e cores
à lividez estupefata dos homens.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
PERDA
Para Ferreira, com toda a saudade que se suporta na dor inelutável.
Todo espaço
é o produto da relação
tempo, natureza e busca.
Toda busca
enquanto possibilidade matemática
é o substrato mesmo da vida.
Viver é o resultado equacionado
somado e dividido
de inúmeros caminhos e escolhas.
Ao final,
a subtração inelutável empresta ao mundo
não ao cósmico mas ao particular e micro
toda a estupefação
da perda...
Teu espaço, teu mundo, meu irmão
exala-se como ao teu gigantesco sonho de voar.
E hoje, mudo, inerte e disforme,
tu és o nada tão injusto
para quem foi tanto!
O nada físico, todavia, não se compara
com a imensidão da tua saudade
agigantada ante as lembranças
que fazem de ti, eternamente,
legado nosso e do mundo,
imorredouro e rico.
Assinar:
Comentários (Atom)